Últimas Notícias do Mundo Acadêmico:

Maternidade muda opção de carreira

5/9/2006 

CONSTANÇA TATSCH
da Folha de S.Paulo

De repente, cada pequena decisão da vida passa a envolver duas pessoas. Para muitas adolescentes, ser mãe significa pensar não só nas suas necessidades mas também nas do seu filho. Com essa responsabilidade em mente, as crianças influem até na escolha da carreira da jovem.

"Vou prestar administração, mas é um curso que escolhi por ser mãe. Queria mesmo arquitetura, mas comparei o mercado de trabalho e [administração] se encaixa mais nas minhas necessidades", conta Ana Cristina Mitiko Ayta de Castilho, 17, mãe de Lucas Castilho Hirata, dois anos e meio.

Ana está fazendo cursinho e concilia os estudos com os cuidados com o filho. "Até as 15h, eu cuido dele. Fico com o Lucas, ponho filme, dou banho. Depois eu começo a estudar, pelo menos tento, porque tem pausa para mamadeira, para brincar, para colocar para dormir. Consigo estudar graças à ajuda da minha mãe."

De acordo com Antonio Carlos Amador Pereira, psicoterapeuta de adolescentes e adultos e professor da PUC-SP, esse é justamente o grande desafio da jovem mãe: arrumar tempo para os estudos e para os cuidados com o filho. "Quando se tem um bebê, por um lado ele solicita mais, mas, por outro, se supõe que a fase de estresse da gravidez já foi superada, as coisas assentaram. A questão é conciliar o tempo."

O psicoterapeuta diz compreender as razões que levam às jovens a fazer opções mais práticas na hora de escolher um curso. "A maternidade joga você no mundo adulto, de cara. Ter alguém para cuidar, que depende de você, é um motivo muito forte para tudo." Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) mostram que, em 2003, havia 81 mulheres grávidas para cada grupo de mil adolescentes entre 15 e 19 anos.

Joyce Porto Moreira, 23, também abriu mão do curso com que sonhava para tentar garantir o futuro do filho. "Como sou técnica em contabilidade, resolvi prestar vestibular para ciências contábeis." Sua intenção é ingressar na carreira de auditora, mais rentável que a de técnica. "Agora tenho de pensar no meu filho, na minha estabilidade financeira. Mas minha vontade era fazer psicologia."

Mesmo que, a primeira vista, essas decisões pareçam penosas, as mães estudantes não reclamam. "Quando ele me chama de mamãe e quer ficar comigo, isso me dá mais vontade de estudar e trabalhar para fazer minha vida com ele", afirma Ana Cristina.

Colaborou Simone Harnik, da Reportagem Local

Voltar


 
replica watches ukrolex replica salefake watchesrolex replica ukfake rolex salereplica watches
Pagina ptrotegida contra cópia por Copyscape