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Engenharia abre horizontes da pesca

5/9/2006 

MÁRCIO PINHO
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Diferentemente da primeira impressão que o nome pode dar, engenharia de pesca não é apenas a profissão das técnicas que melhoram a captura de peixes. Considerado um 'eclético' do setor, o engenheiro de pesca tem um campo de atuação que passa pela participação no cultivo, na industrialização e na gestão sustentável de recursos naturais.

Apesar de ser uma profissão recente (chegou ao Brasil na década de 70), os engenheiros de pesca estão ganhando um mercado antes ocupado principalmente por biólogos. Hoje, eles já são entre 6.000 e 8.000 no país, segundo cálculos da UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco).

O potencial para o cultivo da extensa costa brasileira colaborou para esse desenvolvimento. Um dos ramos que mais crescem é a aqüicultura, que utiliza técnicas como a criação de fazendas e viveiros em tanques-rede para a produção de peixes em água doce e salgada.

De acordo com Felipe Matias, um dos diretores da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca do governo federal, a criação 'artificial' pulou de 14,6% da produção de pescado no Brasil, em 1998, para aproximadamente 30% em 2005. Já um estudo do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) mostra que, desde 2002, a produção por aqüicultura é maior que a da pesca continental, que é feita em rios e açudes, por exemplo.

'A pesca está em crise. Foi sempre tratada como recurso infinito. É preciso garantir que os estoques se reproduzam', afirma Matias.

Curso

A necessidade de praticar uma pesca responsável que respeite o ambiente impulsionou a criação dos primeiros cursos de engenharia de pesca no Brasil na década de 70. Um dos pioneiros foi o da UFRPE.

Segundo seu coordenador, Vanildo Souza de Oliveira, o aluno aprende o básico de engenharia no primeiro ano e, nos semestres seguintes, entram na grade matérias mais específicas, relacionadas ao cultivo, à navegação, ao processamento e à captura. A duração média do curso é de cinco anos, e é preciso fazer estágio para se formar.

Apesar de o mercado de trabalho ser atraente, ainda são poucas as universidades que oferecem a graduação no país. De acordo com dados do Ministério da Educação, aparecem registradas apenas instituições do Amazonas, Pará, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e Paraná.

A concentração no Nordeste acontece porque lá estão os principais Estados produtores de pescado do país. Entretanto, as técnicas e os equipamentos ainda são artesanais e não alcançaram um nível de desenvolvimento igual ao da pesca industrial, mais praticada no Sul e no Sudeste.

'Aqui a pesca artesanal é uma realidade. Há pescadores e comunidades que dependem dela. O engenheiro de pesca é quem leva o conhecimento técnico, é praticamente um assistente social', diz Oliveira. O coordenador afirma que as tecnologias da profissão trazem benefícios para a população nordestina e cita como exemplo a criação de peixes em açudes no rio São Francisco, por meio da aqüicultura.

Mais industrializados na pesca, o Sul e o Sudeste não apostam na formação de engenheiros de pesca. Nessas regiões é mais comum o curso de oceanografia, em que os alunos se aprofundam nas condições geográficas e biológicas dos mares. Porém, a carreira não tem como ponto forte a produção de alimentos, uma das principais diferenças em relação à engenharia de pesca.

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