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Escolas de Serra mantêm "turno da fome"

31/1/2007 

FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo

O governo de São Paulo vai manter neste ano o "turno da fome" (aulas no horário do almoço) para 72.500 estudantes da rede, apesar da promessa feita em 2006 de extingui-lo já no começo deste ano letivo.

A meta havia sido estabelecida pela secretária da Educação do então governador Cláudio Lembo (PFL), Maria Lúcia Vasconcelos. Mantida no cargo pela gestão José Serra (PSDB), ela admitiu ontem que o "turno da fome" seguirá em 86 escolas (80 na Grande São Paulo e seis na região de Campinas).

À época do anúncio, em julho, havia 169 unidades com o terceiro turno diurno, que é adotado onde há grande demanda e, por isso, os tradicionais dois períodos (manhã e tarde) não são suficientes.

Para contornar o problema, reduziu-se a carga horária diária nessas unidades de 5 horas para 3 horas e 40 minutos, abrindo espaço para um turno no horário do almoço, a partir das 11h. A compensação do período letivo é feita aos sábados.

"Houve uma redução de 49% [no número de escolas com os três turnos]. Foi o que deu para fazer", disse a secretária, após o lançamento de um projeto de restauração de escolas tombadas pelo patrimônio histórico. "Não esbarrei em dificuldades financeiras ou políticas, mas em problemas concretos."

A secretária, que administra uma rede com 4,5 milhões de alunos, citou dificuldades em encontrar terrenos para construção ou ampliação de escolas. Disse que espera extinguir o turno da fome até o fim do ano.

Críticas

Para o educador Joaquim Pedro Villaça de Souza Campos, membro do Conselho Estadual de Educação, o fim dos três turnos diurnos deveria ser "a maior prioridade" do governo.

"Como podemos falar em escolas de tempo integral ou dois professores em sala de aula se ainda temos alunos com essa carga horária que não permite a eles aprender?", disse Campos, referindo-se a dois projetos do governo estadual.
Para o presidente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede), Carlos Ramiro de Castro, "falta vontade política para construir escolas".

Castro afirmou ainda que a freqüência às aulas aos sábados é "baixa" --opinião contestada pela secretária de Educação, que diz que faz trabalhos específicos com dirigentes e diretores para atrair os alunos.

Já a presidente da Associação Estadual de Pais e Alunos, Hebe Tolosa, afirmou que, "se não faltou dinheiro nem vontade, faltou planejamento".

"A criança no turno da fome fica com um horário ilógico de almoço, que traz até prejuízos biológicos a ela", disse.

Ontem, a Secretaria da Educação lançou um projeto que visa restaurar, com recursos da iniciativa privada, 13 escolas estaduais tombadas pelo patrimônio histórico.

O modelo se inspirada na escola Rodrigues Alves, na avenida Paulista, que foi reformada com ajuda do Banco Real. Na capital, a idéia é restaurar a Caetano de Campos, no centro.

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