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Investir em estrutura não basta, dizem educadores

28/9/2006 

da Folha de S.Paulo

Investimentos em bibliotecas, oficinas de arte e quadras é importante para que as crianças tenham condições de se desenvolverem socialmente. Mas não bastam. Para melhorar os conhecimentos dos alunos em disciplinas como língua portuguesa e matemática, é preciso atuar nas condições de trabalho dos professores e na organização pedagógica.

Essa é a análise feita por educadores entrevistados pela Folha sobre a comparação entre as notas médias dos CEUs e as das escolas de lata. Eles dizem que a Prova Brasil avalia apenas o desempenho acadêmico, não levando em conta problemas decorrentes da precariedade das unidades de lata.

"Certamente, as crianças que estudaram em escolas de lata terão problemas até de saúde, principalmente por causa do barulho", disse Helena Albuquerque, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP.

"Além disso, dificilmente esses estudantes terão lembranças gostosas dos momentos na escola. Isso pode desestimulá-los a continuar os estudos."

A professora da Faculdade de Educação da USP Silvia Colello afirma que "uma criança no CEU tem muito mais condições de se desenvolver culturalmente e até fisicamente".

"Em uma simples aula de educação física, a criança consegue aprender a seguir regras, devido ao esporte", diz Colello. "A escola precisa ser um lugar para que o jovem se desenvolva como um todo, e não só em português ou matemática."

Lisandre Castello Branco, também da USP, concorda. "Não adianta uma estrutura magnífica sem um profissional competente." "Mas não há como negar que uma criança com acesso a equipamentos culturais e esportivos terão uma formação social mais ampla."

Para Artur Costa Neto, membro do Conselho Municipal de Educação, o investimento nos CEUs foi uma política "correta", pois melhorou as condições culturais e de lazer para a periferia.

Para o diretor de avaliação da educação básica do Inep (instituto de pesquisas do Ministério da Educação), Amaury Gremaud, os dados mostram que é possível fazer um bom trabalho em condições adversas. Cita a escola de lata Rogê Ferreira (leia nesta página). "Por outro lado, se não houver um bom projeto, um espaço como o CEU pode ficar subutilizado."

Alcir Ferreira, diretor de ensino fundamental do CEU Meninos, o que teve melhor desempenho na avaliação, com 176,42 pontos em português e 191,61 em matemática, confirma que o sucesso dos alunos na avaliação se deve mesmo à dedicação dos professores e a um projeto que divide as turmas segundo graus de dificuldades por matérias. "A infra-estrutura ajuda o trabalho, que é muito mais diversificado, mas o fundamental é a formação e o estímulo do corpo docente."

O benefício de ter uma escola com espaços diferenciados é poder acostumar as crianças, desde pequenas, a uma formação cultural e esportiva. Na tarde de terça, quando a reportagem visitou a unidade, alunos de 3 anos escolhiam livros na enorme biblioteca, acompanhados da professora. "São estímulos importantes, que servirão para a vida toda."

Esse tipo de estímulo, os estudantes da Emef Jardim das Laranjeiras, em São Mateus, na zona leste, não tiveram. Há dez dias eles estudam na nova escola de alvenaria mas, até então, tiveram de conviver apertados no colégio de latinha e passaram os últimos meses sem ter a sala de leitura.

"Para construir a nova unidade, precisaram cortar a escola ao meio. A diretoria e a secretaria ficaram na sala de leitura. A equipe teve de se organizar para levar o projeto pedagógico adiante", diz a diretora, Luciane Souza."

Elton, 12, aluno da 6ª série, mal acredita que hoje tem uma sala de aula "de verdade". "Era quente demais na latinha e tinha pouco espaço, ficava difícil prestar atenção."

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